Substância em cosméticos está ligada a partos prematuros

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Mulheres grávidas que foram expostas a ftalatos durante a gravidez têm um risco maior de terem o parto prematuro. É o que afirma um novo estudo científico divulgado pela National Institutes oh Health (NIH), e publicado na revista Jama Pedriatics.

O ftalato é um químico que está presente em produtos de cuidado pessoal como cosméticos, além de solventes, detergentes e embalagens de comida.

Depois de analisar os dados de mais de 6 mil gravidas nos Estados Unidos, pesquisadores descobriram que mulheres com alta concentração de vários metabólitos de ftalatos na urina são mais suscetíveis a darem à luz antes da hora, a partir de três ou mais semanas antes da data de nascimento prevista.

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Estudo recente afirma que há relação entre partos prematuros e a exposição aos ftalatos. (Crédito: Unsplash)

Para nos ajudar a entender melhor sobre esta pesquisa e suas conclusões, entrevistamos a Dra. Nathany Borges, médica de família e comunidade que trabalha com a abordagem integrativa.

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O que são ftalatos?

Os ftalatos são um grupo de compostos químicos considerados nocivos para a saúde, tidos como cancerígenos e prejudicial para o sistema reprodutor.

O estudo científico americano mostra o aumento da frequência de partos prematuros nas mulheres que apresentam maior quantidade de metabólitos dos ftalatos na urina, colhida mais de uma vez durante a gestação.

Esses compostos são produzidos de forma industrial e possuem objetivos. A Dra. Nathany Borges explica que o ftalato é responsável por dar maleabilidade ao plástico, o que indica que todas as embalagens de plástico vão conter o ftalato.

embalagens de plástico que contém ftalatos
Os ftalatos estão presentes em todas as embalagens de plástico. (Crédito: Unsplash)

No caso dos cosméticos, a fixação da cor do esmalte e a duração e fixação de perfume também se dá pelos ftalatos. “Todos esses produtos, que usamos comumente várias vezes ao dia, estão cheios dessa substância que é capaz de gerar uma desregulação no nosso sistema”, alerta a médica.

Consumo excessivo de insdustrializados é o principal vilão

A pesquisa “Associations Between Prenatal Urinary Biomarkers of Phthalate Exposure and Preterm Birth” tem um recorte de tempo bastante amplo, pois foi realizada com grávidas que deram à luz entre 1983 e 2018. Por isso, segundo os autores, este é o maior estudo sobre o tema feito até hoje.

O grupo analisou um total de 6.045 grávidas, com uma média de 26 anos. Entre elas, 539 mulheres (equivalente a 9%) tiveram um parto prematuro, antes de se completar a 37ª semana de gestação. Metabólitos de ftalatos foram encontrados em mais de 96% das amostras de urina coletadas dessas gestantes.

Substância em cosméticos está ligada a partos prematuros, mulher grávida no hospital
Entre as grávidas que participaram do estudo, 96% apresentaram metabólitos de ftalatos na urina. (Crédito: Unsplash)

Para a Dra. Nathany, isso mostra o quanto o nosso consumo de industrializados vem crescendo ao longo dos anos. “Sabemos que é necessário a evidência científica de algo que vemos na prática médica, e por isso fico feliz que estamos cada vez mais conseguindo essas evidências.”

Existem alternativas

Os pesquisadores também descobriram que reduzir os níveis de metabólitos de ftalatos em 50% poderia prevenir partos prematuros em 12%. Algumas mudanças direcionadas ao nosso comportamento podem contribuir para reduzir a exposição ao composto químico, e assim proteger as gestações.

“É difícil para as pessoas eliminar completamente a exposição a esses produtos químicos na vida cotidiana, mas nossos resultados mostram que mesmo pequenas reduções podem ter impactos positivos, tanto para mães quanto para seus filhos”, afirmou Barrett Welch, pós-doutorando e co-autor da pesquisa.

Comer alimentos frescos e caseiros, evitar alimentos processados ​​que vêm em recipientes ou embalagens plásticas e selecionar produtos sem fragrância ou rotulados como “sem ftalatos” são exemplos de coisas que as pessoas podem fazer para reduzir sua exposição ao composto químico.

Para a médica integrativa Nathany Borges, o objetivo da alimentação é a nutrição. “Se no alimento industrializado eu não tenho os nutrientes necessários para o funcionamento do meu corpo, e ainda estou tendo acesso a substâncias que vão me intoxicar, que vão prejudicar a minha alimentação, evita-los já é um grande benefício.”

No caso dos cosméticos o raciocínio é o mesmo. A Dra. Nathany aconselha formas mais naturais e saudáveis de se cuidar, com o uso de óleos essenciais, e praticando aromaterapia e fitoterapia. “Como solução para muitos problemas a gente consegue, além de cuidar da beleza, cuidar da saúde”.

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Conhecimento é poder

A médica de família Dra. Nathany Borges ainda chama atenção para o fato de que as pessoas, no geral, apresentam um total desconhecimento sobre os temas tratados neste artigo. Além disso, nos acostumamos com o que está disponível nos supermercados, por ser mais acessível tanto geografica quando financeiramente.

médica de família e comunidade Nathany Borges
Dra. Nathany Borges, médica de família e comunidade com abordagem integrativa. (Crédito: Arquivo pessoal)

Os prejuízos causados a nossa saúde por por industrializados não é um tema muito difundido, já que a linguagem pode ser complexa. “Estamos acostumados a comprar produtos industrializados e não saber o que está vindo ali, não sabemos o que implica todos aqueles nomes difíceis daquele rótulo em letras bem pequenas. Para a pessoa leiga, é realmente muito difícil ter acesso e o entendimento sobre esses assuntos”, diz Nathany.

Por isso, precisamos de mais pessoas falando sobre isso, mais empreendimentos com a missão de vender produtos naturais e orgânicos. “Quanto mais ações como essas, mais as pessoas vão ter acesso a informação e a produtos que realmente vão colaborar com a sua saúde e evitar outros danos”, recomenda a médica de família e comunidade.

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Os autores da pesquisa americana estão realizando estudos adicionais para entender melhor os mecanismos pelos quais a exposição aos ftalatos pode afetar a gravidez, e assim determinar se existem maneiras mais eficazes para as mães reduzirem suas exposições.

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